terça-feira, 11 de março de 2014

Mainstream: A nova guerra global dos conteúdos


“O termo mainstream inclui tudo que diz respeito a cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa. Muitas vezes é também usado como termo pejorativo para algo que "está na moda". O contrário do Mainstream seria chamado de Underground, ou seja, o que não está ao alcance do grande público, sendo restrito a cenas locais ou públicos restritos.

Em busca rápida no Wikipédia vamos encontrar a definição acima para o termo “Mainstream”. Em resumo, é a cultura “de massa”. Trata-se de algo que todos conhecemos, mas de que pouco sabemos, especialmente no que se refere à sua produção.

A utilização da cultura como instrumento de influência política e ideológica é tática largamente utilizada pelas nações imperialistas e essas táticas estão cada vez mais complexas e especializadas. O Estados Unidos são o grande exemplo de utilização deste artifício. Martel em seu livro “Mainstream” apresenta um importante dado: os EUA são responsáveis pela exportação de 50% dos conteúdos consumidos em todo o mundo, em contrapartida, sendo o maior mercado consumidor de cultura, estão apenas no quinto lugar nas importações.
Aplicação do "Hard" e do "Soft"

A cultura é hoje parte integrante da política do “soft power”, o poder das ideias, diferentemente do “hard power” o poder da força, recorrentemente utilizado na história, e ainda hoje, para conquista de territórios. Foi Joe Nye quem cunhou a expressão: “ O Soft Power também é a influência por meio de valores como liberdade, democracia, individualismo, o pluralismo da imprensa, a mobilidade social, a economia de mercado e o modelo de integração das minorias nos Estados Unidos. E é igualmente através das normas jurídicas, do sistema de copyright, das palavras que criamos, das ideias difundidas em todos o mundo que o “power” se torna “soft”*. Nye colaborou também com a definição da nova diplomacia de Obama, através do “smart power”, uma combinação de persuasão e força, de “soft” e “hard”.

Soa como música, mas é apenas mais uma forma de dominação
Não é preciso pesquisar muito para ver em pleno exercício o “Smart Power” de Obama em vários episódios, mais recentemente na Líbia, Venezuela e Ucrânia, e até mesmo no Brasil. A infiltração de grupos responsáveis por “importar” essas ideias, mobilizar forças locais, especialmente jovens, aliada à ações violentas, integram essa estratégia.


Cultura é poder e com a emergência de novos polos econômicos, começam a surgir também novos polos culturais. As mídias locais, dentre elas as do Brasil, começam a figurar nessa nova batalha mundial de conteúdos. Porém o violento monopólio dos meios de comunicação no Brasil, fruto de uma legislação atrasada, é o grande entrave para que comecemos a ter uma produção Nacional que reflita nossa cara, nosso jeito, nossa cultura. Ficamos à mercê da gigante Rede Globo para produzir conteúdos nacionais. Para termos uma ideia, a maior exportação cultural do Brasil é de novelas da Globo. Isso se somando música, literatura, cinema, etc. É necessário, portanto, que a informação e a cultura passem a ser vistas como estratégicas para um projeto de Nação desenvolvida, ou estaremos à mercê dos ditames de outras Nações e dos seus “Softs”, “Hard´s” e “Smart´s”.

*citações na obra de Frédéric Martel

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